O 1º de maio deste ano será, talvez, um dos mais importantes para a Classe Trabalhadora Brasileira, não apenas pelo significado da data, comemorada internacionalmente, mas sobretudo pelo acentuado processo de precarização das condições de vida, salário e trabalho da imensa maioria da população do país.
A fome, a miséria, o desemprego e alta da inflação voltaram a assombrar a vida de milhões de famílias, ao mesmo tempo em que aumentou vertiginosamente a distância entre ricos e pobres, em índices de desigualdade social dos mais altos do mundo. A reforma trabalhista do governo Temer, a reforma da previdência do governo Bolsonaro e os três últimos anos de constantes ataques aos serviços e servidores públicos, em todas as áreas, nas esferas federal, estadual e municipal, pioraram a vida da população trabalhadora e jogaram na informalidade ou no desemprego outro tanto de pessoas, que hoje não vislumbram qualquer perspectiva em termos de sobrevivência digna em nossa sociedade.
Sem falar nas quase 700 mil vidas perdidas por conta de uma postura genocida do atual governo, que até hoje trata a pandemia com desdém e que só garantiu a compra e distribuição de vacinas após intensa mobilização social, que resultou numa CPI para investigar os atos criminosos que atrasaram o início da imunização da população do país. O resultado dessa combinação de autoritarismo com desastre econômico e ataques a conquistas sociais e trabalhistas não poderia ser outro: O Brasil é hoje uma terra quase que totalmente arrasada.
O 1º de maio deste ano, portanto, deve ser de muita reflexão e luta, única forma de superar o verdadeiro processo de desmonte de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que se acentuou ao longo dos últimos seis anos no Brasil. É para isso que serve o 1º de maio. É por isso que milhares de trabalhadoras/es deram a sua vida e o seu sangue no passado, para que o mais importante nunca seja esquecido, de que a única forma de conquistar, garantir ou recuperar direitos é lutando, coletivamente, todos os dias.
As origens do 1º de maio
São muitos os estudos sobre a origem do 1º de maio, mas uma das pesquisas mais importantes sobre esses mais de 200 anos de lutas está condensada no livro “1º de maio: dois séculos de lutas operárias”, produzido pelo Núcleo Piratininga de Comunicação Popular, do Rio de Janeiro.
Em forma de cartilha, com ilustrações e fotos de cartazes históricos, o livro conta e analisa, de maneira bastante didática, mais de dois séculos de lutas e conquistas da classe trabalhadora em todo o mundo. Desde as lutas mais longínquas em vários países da Europa, passando pelo primeiro 1º de maio, em 1886, em uma greve geral nos Estados Unidos pela redução da jornada de trabalho, até a decretação oficial da data comemorativa em 1891, durante o 2º Congresso da Internacional Socialista, os textos contam em detalhes não apenas a história desse dia, mas a própria história das lutas das/os trabalhadoras/es pelo mundo. Vale muito a leitura!
(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)