No início de 2017 a reitora do IFSC fez questão de passar nos câmpus para participar do que deveriam ser reuniões de boas-vindas e retomada das atividades. A fala de abertura coube à própria reitora, que recepcionou os/as servidores/as com notícias sobre demissões no IFSC e o informe contundente de que a Comissão de Ética – com composição designada por ela mesma – trabalharia a todo vapor neste ano. Cabe lembrar que se desenrolava, de forma muito truncada e intransigente, um inédito processo negocial para reposição de dias de paralisação (motivados pela defesa dos serviços públicos, incluindo a educação). De boas-vindas – que os mais otimistas esperavam – ficamos famintos.
Vivemos um período em que a crise econômica e política se agrava no Brasil e parte considerável do mundo. Isso tem se traduzido em subtração histórica de direitos, rebaixamento do padrão de vida da população, corrosão salarial, cortes orçamentários nas áreas sociais, privatizações, sucateamento dos serviços públicos, entre outros. Aqui, para se valer destes ataques e possibilitar a retomada de lucro da patronal, o governo Temer se torna cada vez mais autoritário, repressivo e vigilante. Onde a situação é mais grave, como no caso do estado do Rio de Janeiro, tanques das forças armadas perfilam sobre as avenidas.
Os trabalhadores e trabalhadoras têm resistido com firmeza e uma greve geral massiva ocorreu depois de décadas no país. O funcionalismo público tem participado com assiduidade, zelo e primazia das lutas e no IFSC não é diferente: tivemos envolvimento nas principais atividades realizadas nas mais diversas regiões do Estado. Saímos, de conjunto, em defesa dos serviços públicos, das áreas sociais, da aposentadoria e contra as reformas do governo. Mas o que nas ruas se traduz em repressão para se manter a ordem, no IFSC se concretiza em vigilância e perseguição para se manter a ética.
A reitoria do IFSC personifica a política que é levada a cabo pelo governo federal: cumpre, a toque de caixa, seus despachos, instala na instituição um clima de permanente vigilância, busca neutralizar e punir quem lhe faz oposição, coloca a polícia atrás de estudante, corta o salário dos servidores que fazem a luta, que se mobilizam contra o desmonte do Estado e a supressão de direitos da classe trabalhadora. E agora quer calar os/as lutadores/as da Seção Sindical através da “Recomendação do Silêncio”. A ética que reivindica a reitoria está a serviço de interesses escusos ao próprio IFSC e seus servidores, seus estudantes. Sela de vez seu compromisso com tudo e todos aqueles que lutamos contra.
É mesmo emblemático que a recomendação seja publicada na semana em que o governo anuncia mais um pacote de ataques aos servidores públicos federais. No mesmo período em que “Gestor Autoritário” foi a pauta mais candente no encontro de representantes por local de trabalho que a Seção Sindical realizou no ano passado. No mesmo período em que o IFSC sofre os piores cortes orçamentários de sua história e tudo parece se manter um passeio no parque por nossos gestores.
O próximo período exigirá intensificarmos a resistência através de nosso principal instrumento – o sindicato – e tornarmos as lutas cada vez maiores e com toda a unidade que se faça possível.
Não nos calarão!
Vencer os ataques pelas lutas!
Derrubar Temer pelas lutas!
Fora com as reformas!
(Nota aprovada na assembleia geral do dia 22/08/17)