Cerca de 150 pessoas, entre estudantes, servidores e representantes de entidades e movimentos sociais de Santa Catarina, participaram ontem (29/11) à tarde, na Reitoria do IFSC, de um audiência pública que debateu as ocupações estudantis no Instituto, com destaque especial para o caso da desocupação do Câmpus Palhoça Bilíngue pela Polícia Militar. A audiência foi realizada como parte das atividades da paralisação de três dias contra a PEC 55, definida na assembleia do dia 25/11. A Proposta de Emenda Constitucional, que congela os investimentos em serviços públicos no país por 20 anos, foi aprovada à noite no Senado, em primeiro turno, por 61 votos 14, apesar da grande mobilização realizada em Brasília, que reuniu mais de 20 mil pessoas e foi violentamente reprimida pela Polícia Militar do Distrito Federal.
A audiência na Reitoria foi dividida em dois momentos. No primeiro, a Reitora Maria Clara Kaschny Schneider e os representantes dos servidores e alunos do câmpus Palhoça expuseram suas críticas e avaliações sobre os fatos ocorridos na noite do dia 18/11. Na segunda parte da reunião, a palavra foi aberta para que os presentes também pudessem se manifestar. As apresentações musicais, programadas para o final do ato, foram canceladas em virtude do acidente aéreo envolvendo a delegação do time da Associação Chapecoense de Futebol.
A tônica da audiência girou, basicamente, em torno de duas posições. A Reitoria do IFSC sustentou o tempo todo que não teve responsabilidade no caso, que o pedido de reintegração foi feito pela Procuradoria Geral Federal (PGF) e que a presença da Polícia foi solicitada pela Justiça. A reitora assumiu, no entanto, que mandou desligar a energia elétrica do câmpus, mas justificou sua atitude como uma medida de prevenção contra possíveis danos que pudessem ser causados por uma suposta festa programada para a tarde do dia seguinte. Os estudantes explicaram que não se tratava de uma festa, mas de um evento cultural que teria, entre várias atrações, algumas apresentações musicais. Eles questionaram o fato da energia ter sido cortada precisamente na sexta-feira, dia da reintegração, e não no sábado, data da suposta festa. A representante do Sindicato dos Eletricitários também questionou a rapidez com que a Celesc atendeu o chamado do IFSC, atendimento especial que, segundo ela, normalmente não é oferecido aos demais clientes da empresa. Os alunos fizeram duras críticas à atuação da gestão do Instituto nesse caso que, segundo eles, poderia ter tido outro final se a via da negociação tivesse prevalecido. Eles denunciaram também a invasão por parte da PM, com a entrada de policiais armados no câmpus e a revista íntima dos alunos, entre outros abusos.
Depois de mais de duras horas de debates, com várias intervenções, a Reitora do IFSC se comprometeu a realizar uma reunião no câmpus Palhoça e a pedir, por meio da Procuradoria Geral Federal, a retirada dos processos judiciais contra os estudantes. “Não vou apenas pedir, vou realizar todo e qualquer movimento necessário para que a gente possa encerrar esses processos”, garantiu. A Reitora falou, no entanto, que não ia se desculpar pelo que aconteceu, já que não tinha responsabilidade no caso, embora na audiência tenha dito vários vezes que, como responde legalmente pela Instituição, ela precisava tomar medidas a fim de garantir a abertura do câmpus.
O ato na Reitoria contou com a presença de representantes dos estudantes e de servidores da Reitoria e dos câmpus Araranguá, Criciúma, Florianópolis-Centro, Florianópolis-Continente, Garopaba, Gaspar, Itajaí, Jaraguá Centro, Jaraguá GW, Lages, Joinville, Palhoça Bilíngue e São José, além de representantes do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia), Previdenciários (Sindprevs), dos praças da Polícia Militar (Aprasc) e do Coletivo de Advogados Populares.