Os trabalhadores do IFSC, reunidos em assembleia geral da categoria no último dia 22 de agosto, decidiram, por unanimidade, repudiar o corte de salário de servidores aplicado pela gestão da instituição como punição pela participação na greve geral de 30 de junho. Essa atitude dos gestores do Instituto Federal é uma clara tentativa de desmobilizar a categoria para as importantes lutas que precisa travar em um momento em que o governo federal promove ataques aos direitos dos trabalhadores, criminaliza movimentos sociais e precariza os serviços públicos.
O corte atende a um comunicado vindo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que, com base em sua própria interpretação, considerou que a paralisação de 30 de junho – um movimento nacional contra as reformas trabalhista e da previdência – não tinha nada a ver com a pauta de reivindicações da categoria e que, por isso, o desconto nos salários de quem aderiu a ela deveria ser aplicado. Ordem que as gestões da Reitoria e de alguns câmpus atenderam muito prontamente, demonstrando que escolheram um lado nessa disputa: o do governo Temer.
Na Reitoria, mais que o peso financeiro do desconto de um dia de salário em seus contracheques, a covardia do ato foi o que revoltou os servidores punidos por lutarem por direitos para os trabalhadores – inclusive para aqueles que estão sendo formados pelo IFSC – e pela valorização dos serviços públicos. Embora a gestão tenha recebido o comunicado do MPOG antes de 30 de junho, não houve, em nenhum momento desde aquela data até hoje, qualquer informação repassada a respeito, de maneira oficial, aos trabalhadores atingidos. Os cortes foram descobertos apenas quando os servidores foram consultar as prévias de seus contracheques.
Encastelados em gabinetes e escondidos atrás de um suposto “manto da legalidade”, aqueles que foram eleitos para gerir a instituição agiram de maneira sorrateira e não foram capazes de dirigir-se aos atingidos para lhes repassar qualquer justificativa pela atitude que tomaram. Talvez porque não tenham nada que sustente sua ação para dizer, já que o IFSC foi uma das poucas instituições públicas que acatou a ordem do MPOG e, ainda assim, apenas em poucos locais de trabalho. Cabe ressaltar que todos os câmpus receberam o comunicado e que há relatos de pressão sobre servidores da área de gestão de pessoas para que apliquem o desconto em outros locais.
É importante que os servidores do IFSC não se esqueçam de episódios como esse, que mostram quem, de fato, apoia a luta pelos trabalhadores e pelos serviços públicos e quem apenas faz discurso e personifica o governo Temer em nível local. No entanto, se falta coragem para os gestores, ela sobra entre os servidores do IFSC, que, mesmo com todos os ataques e perseguições que sofrem, na instituição e fora dela, vão continuar batalhando por seus direitos e pelos trabalhadores do Brasil.
Manter a unidade e a força na luta!
Derrotar Temer e seus adeptos!