“Maria Clara, mas que loucura, tua gestão tá virando ditadura”. Ao som desse bordão, cantado por centenas de servidores, os dirigentes do IFSC assistiram, na última sexta (21/9), na Reitoria, a uma das maiores manifestações já realizadas no Instituto em defesa da flexibilização da jornada dos TAEs. Desde a vigília no Colégio de Dirigentes, onde a Reitora Maria Clara pretendia revogar a Resolução 02/2014, até a assembleia geral, no período da tarde, foram, pelo menos, nove horas de intensa movimentação.
A reunião do Codir, marcada para começar às 9h, iniciou tensa, com a Reitora impedindo a entrada dos técnicos, mesmo sem direito a voz. Com uma pequena e barulhenta multidão do lado de fora, representantes do Sinasefe e da CIS tiveram 10 minutos cada para expor suas posições. A representação dos servidores pediu, em linhas gerais, a suspensão do processo de revisão da flexibilização, a fim de aprofundar não apenas o debate interno, mas também possibilitar a abertura de diálogo com as entidades nacionais da rede federal, como o Conif e a Andifes. Diretores dos Câmpus também se posicionaram, em sua maioria, pela suspensão temporária da revisão, muitos inclusive amparados por debates realizados com os servidores em seus respectivos Câmpus. A diretora do Câmpus Florianópolis Centro, Andrea Andujar, pediu vistas alegando que os documentos referentes àquela pauta foram enviados fora do prazo de 72 horas estipulado pelo regimento interno. A Diretora do Câmpus Palhoça Bilíngue, Carmem Cristina Beck, tentou ler uma carta aprovada em reunião com os servidores, mas foi impedida pela Reitora, que aceitou apenas receber o documento.
Outros diretores também concordaram que o processo não precisaria ser atropelado, mas de nada adiantou. Praticamente isolada, a Reitora do IFSC ignorou o apelo do colégio de dirigentes, chegando a afirmar que os diretores só estavam falando aquilo naquele momento por causa da pressão “do lado de fora”. Transmitida ao vivo pela TV IFSC, a reunião era acompanhada pelas centenas de servidores, por meio de dispositivos móveis, e cada palavra de ataque à flexibilização era respondida com vaias e novas palavras de ordem. A tensão aumentou ainda mais quando a Reitora afirmou que, se fosse necessário, ela assumiria unicamente pra si a responsabilidade pela aprovação da nova Resolução. “Ou aprovamos isso coletivamente ou será um ato do reitor”, disse. Foi o que bastou para que a pressão aumentasse ainda mais.
Nesse momento, o Sinasefe pediu a palavra para dizer que, sem negociação, não havia mais motivo para continuar participando da reunião. Representantes da Seção, da CIS e do Sinasefe Nacional se retiraram e logo em seguida, sob os gritos de “é greve, é greve, é greve” e “fora Reitora”, a reunião foi interrompida. Servidores e alguns diretores se reuniram então no auditório para novas manifestações de apoio à flexibilização.
Assembleia mantém indicativo de greve
O dia histórico continuou na parte da tarde, com a assembleia geral tendo que ser interrompida logo no início dos trabalhos, para que os servidores pudessem novamente protestar junto ao Colégio de Dirigentes, onde a pauta da flexibilização fora retomada, de forma silenciosa, pela Reitora. Em nova sessão de “apitaços” e palavras de ordem, a reunião do Codir teve que ser suspensa, pela segunda vez.
Vencida mais uma etapa, os servidores se reuniram meia hora depois, no Câmpus Continente, e aprovaram os próximos passos da luta:
- Manutenção do indicativo de greve, com nova assembleia em data a ser ainda definida.
- Formalização de denúncia contra a Reitora Maria Clara à comissão de ética do IFSC e também do Planalto.
- Análise jurídica sobre a possibilidade de ação judicial contra a Reitora, em virtude do conteúdo usado na carta que foi enviada pela gestão aos estudantes.
- Articulação com diretores do IFSC para tentar viabilizar a produção de uma nova resposta aos órgãos de controle.
- Envio de ofício à Reitoria, pedindo abertura de negociação sobre o corte do ponto referente à paralisação do dia 21 de agosto. Outros cortes de salário, em decorrência de novas paralisações, deverão ser novamente objeto de debate em assembleia.
- Análise jurídica sobre a legalidade da manutenção do blog da Reitora no site do IFSC.
- Ingresso de ação judicial para questionar a aprovação de resoluções pelo Codir, um órgão consultivo, sem poder de deliberação.
(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)