Hoje, o IFSC possui três instrumentos de controle de jornada, que atingem todos os servidores. Os técnicos, dependendo do local de trabalho (Câmpus ou Reitoria), são vigiados por ponto biométrico e ponto por computador (SigRH), enquanto os docentes passaram a ser controlados há pouco tempo pela chamada Agenda Zimbra, que lembra o verbo “zimbrar”, cujo significado remete ao ato de “fustigar com chicote ou objeto parecido, zurzir, açoitar”. Além destes, já se cogita nos bastidores a compra de catracas ou fechaduras eletrônicas para controlar a entrada e saída dos servidores, a exemplo do que acontece em outros órgãos da administração pública federal, como o IBGE, por exemplo, onde todas as saídas e entradas de funcionários são controladas eletronicamente.
Além de representar um aumento significativo do tempo gasto pelo servidor com preenchimento de tabelas e relatórios, o que por si só já contraria um dos princípios fundamentais da administração pública – a eficiência, os modelos de controle que vêm sendo implantados no instituto possuem também outra característica em comum: os constantes defeitos técnicos. O SigRH, por exemplo, apresenta problemas com o registro da jornada flexibilizada, fazendo com que boa parte dos servidores fique devendo horas, ainda que em muitos casos os relatórios comprovem que há mais créditos do que débitos. Os pontos biométricos muitas vezes não conseguem fazer a leitura e a recente agenda Zimbra já apresentou tantos furos que a Instrução Normativa que regulamenta o instrumento teve que ser reeditada por duas vezes em menos de dois meses.
Todos esses dados levantam algumas questões. A primeira delas, do ponto de vista do interesse público, é o elevado custo de compra e manutenção periódica de toda essa aparelhagem, em comparação com os resultados alcançados. De acordo com valores atuais do mercado, uma fechadura de porta com controle unidirecional, usada apenas para registrar a entrada do servidor, não sai por menos de R$ 7 mil cada. A fechadura eletrônica, assim como a catraca, é apenas mais uma das propostas de intensificação de controle que vêm sendo estudadas pelos gestores do IFSC nos últimos meses, apesar da ausência de recursos e do recrudescimento da política de cortes de gastos implantada pelo governo federal.
Em números, o IFSC já gastou em apenas seis anos aproximadamente R$ 50 mil com compra e instalação de sistemas de controle, segundo informações extraídas no site do Instituto. Só o Sig Frequência, modelo através do qual os servidores registram seu ponto pelo computador, custou R$ 12 mil. Já o ponto biométrico custou até agora R$ 38.625,00, resultado de duas licitações. Na primeira, realizada em 2011, foram comprados 15 aparelhos no valor de R$ 1.990,00 cada, totalizando R$ 29.850,00. Dois anos depois, foram comprados mais cinco aparelhos, ao custo de R$ 1.755,00 cada, num total de R$ 8.775,00. Isso sem computar os custos de manutenção.
Há bem pouco tempo atrás, quando a frequência dos servidores era feita de forma manual e a preocupação maior girava em torno dos métodos de gestão, o IFSC figurava no topo do ranking das melhores escolas públicas do país. Hoje, após a substituição da figura humana pela máquina, a realidade já não é mais a mesma. Depois de seis anos com o melhor Índice Geral de Cursos (IGC) entre os Institutos Federais (2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013), o IFSC nunca mais repetiu esse feito e na última avaliação (2016) figurou em 21º lugar.
Outra questão que a sede por controle levanta é sobre o reflexo desses métodos sobre a saúde do servidor, que hoje tem seu grau de estresse elevado em virtude de uma preocupação maior com o registro da frequência do que com os resultados do trabalho diário. A falta de diálogo e negociação em torno de medidas que afetam diretamente a vida das pessoas ajuda a agravar ainda mais o quadro caótico em que vem se transformando a gestão de pessoas no IFSC.
Créditos: Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC