Aguarde, carregando...

31 de outubro de 2025

Nota de repúdio ao massacre no Rio de Janeiro

Nota de repúdio ao massacre no Rio de Janeiro

A Seção Sindical lFSC do Sindicato Nacional dos (as) Servidores (as) Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica vem a público manifestar seu mais profundo repúdio à chacina promovida no Rio de Janeiro, através da ação policial conjunta batizada de Operação Contenção, realizada no dia 28 de outubro de 2025, nos Complexos da Penha e do Alemão e que já é considerada a maior operação policial letal da história do país.

Inicialmente, teria como objetivo fazer cumprir 100 mandados judiciais, mas deixou como saldo 121 mortos (até a publicação desta nota), incluindo-se quatro policiais, prendendo assim 113 pessoas e entre estas, 10 adolescentes. As matérias também falam bastante em 119 armas das quais 80 fuzis, mas ainda não são conclusivas no que diz respeito ao número/quantidade de drogas e munições. Em resumo, resultados pífios do ponto de vista mais concreto – basta lembrar que na casa do policial militar Ronnie Lessa foram encontrados 117 fuzis no Condomínio Vivendas da Barra, condomínio situado na Zona Norte, onde se hospeda hoje o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e neste dia não se ouviu um tiro – de uma ação mal orquestrada, planejada e coordenada em que o Estado submete o conjunto da população ao terror e à angústia, deslocando 2500 agentes e deixando todas as outras áreas desprotegidas, à mercê da retaliação do crime organizado.

O que ocorreu no Rio de Janeiro foi um massacre indiscriminado, com dezenas de corpos ainda sem identificação (não sabemos se são bandidos, na verdade nem sabemos quem são), relatos horripilantes de tortura em crianças, indícios fortes de execuções sumárias. E para piorar o quadro de terror, a Polícia Civil vem a público esclarecer que irá oferecer uma investigação rigorosa contra pessoas da comunidade, por supostamente terem subtraído as roupas dos corpos das vítimas para enfileirar na praça, para reconhecimento de outros familiares. Verdadeiro cenário de guerra! O que vimos foi o retrato de um desastre do ponto de vista humanitário, em todas as cores e nuances de racismo estrutural. Poucas imagens definiriam tão bem o significado do conceito de “necropolítica", traduzida aqui em seu indisfarçável projeto de extermínio da população negra, pobre e periférica.

Como educadores e educadoras, não podemos nos calar! Por todos os motivos expostos, estamos vindo à público para nos solidarizarmos com os familiares das vítimas (todas elas), e nos somarmos às organizações de direitos humanos e movimentos sociais que hoje exigem investigação rigorosa, responsabilização dos agentes públicos e compensação a estes familiares.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa incondicional da vida, da ordem democrática e da justiça social. Aqueles que foram executados no último dia 28 de outubro não devem ser esquecidos, nem ter sua história vilipendiada e detratada de forma gratuita. Eles também são o povo, sem o qual nenhuma democracia no mundo pode se afirmar!

Exigimos que o governo federal, o Ministério Público e os órgãos internacionais sigam investigando e cobrando rigorosa e transparente averiguação de fatos e responsabilização estatal.

Basta de massacres! Basta de tratar nossa própria população como “inimigo incomum!” Queremos paz, pois só com paz podemos prosperar como nação!

Diretoria do SINASEFE Seção Sindical IFSC e Núcleos de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABIS) do IFSC

Visão Geral da Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível.
As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Política de Privacidade

Política de Cookies