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20 de junho de 2024

Nota de solidariedade à professora Carolina Puerto

Nota de solidariedade à professora Carolina Puerto

O SINASEFE Seção sindical IFSC vêm a público declarar toda a solidariedade à professora de Filosofia da EEB Simão José Hess e EEB Padre Anchieta, Carolina Puerto, que foi afastada nesta terça-feira, dia 18 de junho, respondendo a um PAD baseado na acusação de se manifestar politicamente em sala de aula.

Carol, como carinhosamente é conhecida por amigos, colegas, companheiros e estudantes, trabalhava a temática sobre fake news e seu impacto destrutivo, a exemplo das fake news veiculadas durante a tragédia do Rio Grande do Sul.

É fato notório que essas fake news aconteceram, e só pioraram a situação que por si mesma já era dramática. A desinformação atrapalhou o fluxo de entrega de mantimentos, gerou descrença naqueles que queriam ajudar e aflição e desespero aos que viviam a catástrofe. A motivação dessas fake news se deu por razão política, por parte daqueles querendo capitalizar politicamente em cima da fragilidade de milhares de pessoas que perderam suas vidas, entes queridos e tudo que tinham, ganhando engajamento e acusando os servidores do Estado e as instituições de estarem boicotando o atendimento àquela situação.

É fato notório, e está amplamente divulgado na mídia, que representantes políticos veicularam essas fake news, inclusive mandatários de cargos políticos de Santa Catarina se engajaram nesta campanha de mentiras. O próprio Governador, Jorginho Melo, gravou e difundiu um vídeo dizendo que os caminhões com ajuda que saíam de Santa Catarina eram barrados, impedidos de chegar ao local para entregar os mantimentos para socorrer as pessoas, e disse que os veículos ainda eram multados, fato que os órgãos responsáveis, como a ANTT, desmentiram prontamente. Tais mandatários deverão responder por seus crimes, no caso do governo do Estado de SC, entre os crimes está o de improbidade administrativa.

Trabalhar este assunto em sala de aula é dever de todo professor com uma formação crítica, visando a formação cidadã dos educandos. Carol é uma professora crítica e responsável, e não se desvencilhou da tarefa que lhe cabe, como professora e filósofa.

A acusação de que Carol se manifestou politicamente ao abordar tais fatos – como se manifestar-se fosse algo proibido no Estado Democrático de Direito – foi acatada pela Secretaria da Educação, comandada pelo ex-presidente da Acafe, Aristides Cimadon.

A acusação, agora objeto de investigação, usa um vídeo gravado sem autorização da professora, e que foi retirado de contexto. Um material produzido sem consentimento e visando distorcer fatos para criminalizar a atividade docente.

Cimadon mostra, com o encaminhamento do processo, seu apreço pelas fake news, pela perseguição política e cerceamento de direitos elementares de todo o cidadão e, no que se refere à liberdade de cátedra, no ativo impedimento da atividade dos professores.

Curiosamente, aquele que deveria estar viabilizando o trabalho docente os está perseguindo e os impedindo de trabalhar. Nunca é demais relembrar, em tempos que professores são afastados de sala de aula por motivos como este, que a rede estadual de SC é conhecida por deixar alunos meses sem ter aulas de diversas matérias por falta de professores.

É evidente que a professora Carolina é vítima de perseguição política e ideológica, e que é um ataque ao exercício da docência e da livre cátedra, uma violação do seu direito de imagem e mais uma vítima de propagação de informação falsa.

Carolina também é diretora do Sinte Regional e o ataque à sindicalista é um ataque ao sindicato e a todos os sindicatos, especialmente aos sindicatos de trabalhadores da educação, como é o Sinasefe.  Com essa medida, Cimadon encaminha orientação política de Jorginho Melo, o mesmo que, além de fazer uso político de fake news para se promover, atacou ferozmente o direito de greve dos trabalhadores da educação, lhes negando tudo aquilo que são seus direitos, como o pagamento do piso nacional.

Estamos de prontidão e ficaremos ombro a ombro à companheira e demais companheiros da base do Sinte. Todo apoio e solidariedade à professora Carol! Pelo imediato arquivamento do processo e retorno para sua escola! Pela reparação às injustiças por ela sofridas! Jorginho, Cimadon, parem de atacar os professores!

(Diretoria do SINASEFE Seção Sindical IFSC)

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