11 de julho de 2021. Uma jovem indígena, Avá-Guarani, de 13 anos, foi encontrada morta na Terra Indígena Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, em uma área que hoje pertence à Hidrelétrica de Itaipu, oeste do Paraná. As investigações apontam que ela se suicidou após ter sido vítima de estupro.
4 de agosto de 2021. Uma menina indígena Kaingáng, Daiane Griá Sales, de 14 anos, foi encontrada morta em uma lavoura no Setor Estiva, da Terra Indígena do Guarita, no município de Redentora, região noroeste do Rio Grande do Sul. Ela estava nua e com as partes inferiores (da cintura para baixo) arrancadas e dilaceradas, com pedaços ao lado do corpo.
9 de agosto de 2021, Dia Internacional dos Povos Indígenas. Outra jovem, Raissa Guarani Kaiowá, de 11 anos, foi vítima de estupro coletivo e morreu após ser jogada de um penhasco com mais de 20 metros de altura.
Dia após dia, a violência praticada contra os povos indígenas no Brasil se torna cada vez mais corriqueira, num processo crescente de banalização de crimes cruéis cometidos, sobretudo, contra mulheres e crianças. Muito além da violência em si, essas mortes são reveladoras da face mais perversa de um país que, desde sua invasão, há 521 anos, vem trabalhando incessantemente pela aniquilação de seus povos originários, como denuncia a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). @anmigaorg
A barbárie cometida contra elas expõe também uma política deliberada de extermínio, que não apenas recrudesceu nos últimos anos, como também se tornou uma bandeira sem disfarces encampada por fazendeiros, mineradores, grileiros e governos adeptos à ideia absurda e desumana de que “o indígena precisa ser incorporado à sociedade”.
A Seção IFSC do Sinasefe é solidária à dor desses povos, repudia os ataques diários de que são vítimas, exige justiça e reafirma o seu compromisso classista com a luta pela dignidade humana, contra a violência de gênero e pelo respeito à vida. E nesse contexto, se soma igualmente às centenas de entidades que lutam contra a aprovação do PL 490, que cria o chamado “marco temporal”, abre as terras indígenas para a exploração econômica e predatória e inviabiliza, na prática, novas demarcações.
“Parem de nos matar! A cada mulher indígena assassinada, morre um pouco de nós”.
(SINASEFE Seção Sindical IFSC)