É com profunda consternação e indignação que observamos os desdobramentos das mesas de negociação e a postura adotada pelo governo, que tem favorecido outras carreiras em detrimento do serviço público prestado nos institutos federais. Apesar das declarações governamentais de estar em processo de negociação com nossa categoria, lamentavelmente, não vemos o devido reconhecimento ao valor do serviço público.
Os motivos para a deflagração da greve são abundantes: a política econômica ultraliberal dos governos anteriores e neoliberal do governo atual, que promoveram e ainda promovem inúmeros ataques direcionados aos IFs, Universidades Públicas e aos servidores/serviços públicos, a contínua redução do orçamento, os salários defasados e a falta de reajustes, entre outros.
Neste momento crítico, urge a necessidade de repensar nossa abordagem na luta e fortalecer a organização coletiva da nossa categoria, enquanto "Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação". Colocam-se questões pertinentes que demandam reflexão acerca da suspensão do calendário nos Câmpus: que tipo de instituição almejamos ser?
Devemos participar ativamente dos processos decisórios de forma coletiva, discutindo nossa identidade e objetivos como instituição de ensino. Não podemos ignorar a realidade em que estamos inseridos, nem prosseguir com um calendário acadêmico enquanto nossos colegas lutam por direitos que dizem respeito à toda COMUNIDADE!
É importante ressaltar que diversas instituições de ensino, aliadas à nossa causa, já se manifestaram a favor da suspensão do calendário acadêmico, sem que isso fosse considerado infração administrativa ou irresponsabilidade.
Nossa instituição deve concentrar seus esforços nas mobilizações coletivas em prol da valorização das carreiras e contra a supressão de direitos vinculados ao nosso trabalho. Precisamos enfrentar os constantes cortes no orçamento da educação para garantir os recursos necessários ao cumprimento de nossa função social. Somos um todo, não somos partes!
A suspensão do calendário acadêmico em todos os Câmpus possibilitará uma mobilização ampla, envolvendo toda a comunidade escolar, fortalecendo assim a greve, que, neste momento, deve se configurar como uma função social e política primordial da Instituição. É crucial compreender que a suspensão não implica em cancelamento, mas sim em uma estratégia política alinhada à defesa de um projeto de educação comprometido com a qualidade do ensino público, entendida não como uma decisão individualizada, mas como um bem compartilhado por toda a comunidade acadêmica.
Neste momento do movimento paredista frente à irredutibilidade do governo, consideramos uma irresponsabilidade da gestão da instituição querer manter as atividades de aulas enquanto setores importantes para o ensino estão paralisados. No atual quadro, temos setores que são imprescindíveis para o ensino em greve, como as coordenadorias pedagógicas, assistência estudantil, laboratórios, setor de compras, biblioteca, secretaria, registro acadêmico, dentre outros. Manter as aulas nessa conjuntura é aceitar que as instituições podem funcionar sem esses setores fundamentais para o ensino e para a formação integral dos estudantes.
Devemos assegurar condições dignas de trabalho e estudo para todos os membros do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e lutar por um orçamento condizente com nossa missão. Neste momento, é imprescindível que as Pró-Reitorias e os demais setores da instituição discutam e reforcem as propostas que visam à suspensão do calendário, mantendo apenas as atividades excepcionais conforme previamente ajustado.
Com união e determinação, continuaremos a luta por uma educação pública de qualidade e pelo reconhecimento justo de nossos direitos enquanto servidores públicos federais.
(Comando Central de Greve do SINASEFE IFSC)