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30 de julho de 2018

Os turnos contínuos e a “forma de ser” do IFSC

Os turnos contínuos e a “forma de ser” do IFSC

O IFSC é uma instituição de ensino, pesquisa e extensão em permanente disputa. E não se podia esperar nada diferente, partindo do princípio que vivemos em uma sociedade formada por classes sociais. Os conflitos e interesses que medeiam as relações sociais incidem sobre a instituição. Reconhecer isso é uma questão fundamental e um pressuposto.

Nada razoável é negar, no entanto, a complexidade que esta adquiriu em sua processualidade histórica. Estamos tratando de uma instituição com uma multiplicidade de ofertas e itinerários formativos, uma variedade de modalidades e níveis de ensino, uma diversidade de públicos e um caráter inclusivo que nenhuma outra instituição de ensino no país possui, cuja função social é promover o ato educativo profissional e tecnológico.

Claro está que o pleno e eficiente funcionamento institucional depende de uma plena e eficiente relação de ensino-aprendizagem. Esta é a sua relação social primordial, sua razão de existência. Contudo, na “forma de ser” que o instituto se objetiva atualmente é seminal que estejam plenas e eficientes as condições que propiciam a relação de ensino-aprendizagem, sejam elas concomitantes, preparatórias ou de finalização deste processo. Imprescindíveis são os trabalhos e as relações institucionais que se estabelecem, também, fora dos ambientes de aprendizagem, fora da relação primordial entre estudante/docente. O funcionamento da instituição não cessa quando cessam as atividades de ensino em si e cada célula administrativa que integra o todo é vital para que as condições acima descritas prevaleçam, caso contrário, sequer existiriam em sua estrutura. Este é a “forma de ser” do IFSC nos dias de hoje.

Neste sentido, o modelo de gestão colocado à disposição da instituição pelos decretos 1.590/95 e 4.836/2003 marcado por turnos contínuos e reorganização dos processos de trabalho se consubstancia como uma poderosa ferramenta para preservar o que o instituto se tornou, assim como para aprimorá-lo e ir além do que é. 

A dialética dos turnos contínuos: seu segredo

Os turnos contínuos, como apregoam os citados decretos, tem como fundamentos a eficiência administrativa e o interesse público. Nada mais são do que a combinação/articulação de pessoas, um rearranjo organizacional dos processos de trabalho, cujo conteúdo oculto – seu segredo – é a indução/compelimento dos envolvidos a desempenharem um trabalho cooperativo, associado, ou seja, desenvolverem trabalhos compartilhados e compartilháveis, de modo a garantir a viabilização do atendimento público, assim como o acolhimento pronto e imediato de demandas. Somente quando o requisito de flexibilização do fazer de cada um dos envolvidos é atingido, as 30 horas são concedidas. Isso significa que os turnos contínuos criam as condições objetivas e subjetivas para o trabalho cooperativo, compartilhado e, sob este prisma, eficiente. Estamos diante de um artifício administrativo em que coexistem a tensão e a distensão: somos compelidos a fazer mais do que o previsto para cumprimento do fim institucional e, como concessão, melhoramos nossa qualidade de vida fora da relação de trabalho, ganhando tempo livre, que é o tempo do desenvolvimento humano. 

A identidade entre a “forma de ser” do IFSC e os turnos contínuos

A correspondência entre o que o IFSC é (e o que almeja ser) com o modelo de gestão em turnos contínuos é evidente. Isso porque a ininterruptabilidade e a reorganização dos processos de trabalho promovem e criam as condições para efetivação do direito social da pessoa que estabelece relação com o instituto ser atendida de forma pronta e imediata – sem espera ou com um tempo de espera reduzido – de forma acolhedora, inclusiva e, desta feita, eficiente. Interessa ao diverso público usuário do IFSC que este funcione com toda a sua potencialidade ativada, uma vez que interrupções e paragens são indutoras de espera, insatisfação, negativização dos serviços prestados e, em última instância, promotores de evasão e exclusão. Não é razoável coadunar com a ofensiva midiática que ataca e rebaixa os serviços públicos e o funcionalismo. 

Por conceber os turnos contínuos e as 30 horas meramente como privilégio – e não como modelo de gestão – os órgãos de controle atacam a instituição e a reitora, ao não defender o modelo, não defende a instituição e a forma histórica avançada que esta alcançou. Com este comportamento, os órgãos de controle se intrometem num campo que essencialmente desconhecem e acabam por fomentar a imposição de um retrocesso institucional sem precedentes. Ao se submeter sem vontade e coragem a estes anseios, a reitora, responsável por esta interlocução, não compre com sua função.  
    
Que fazer?

Os turnos ininterruptos foram preservados e existem até hoje fruto das lutas que historicamente travamos em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade e por melhores condições de trabalho e de vida. Foi o protagonismo dos/as servidores/as, sua entrada em cena com organização, consciência e intervenção direta, que garantiu que o IFSC tomasse a forma que possui atualmente. E será com esta interface que produziremos uma instituição que esteja a serviço da classe trabalhadora. Na luta atual, o caminho para nossa vitória passa necessariamente por Criciúma. É lá que devemos estar no próximo dia primeiro. 

ANDRÉ EITTI OGAWA
Representante de Base do Câmpus Florianópolis – Continente

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