A greve dos caminhoneiros, que atinge toda a cadeia produtiva e praticamente paralisa o país, de norte a sul, completa hoje (28/05) oito dias. A Seção Sindical IFSC do Sinasefe apoia e se solidariza com essa sofrida categoria de trabalhadores, que sente na pele diariamente os efeitos das péssimas condições das estradas, dos altos preços dos pedágios, dos baixos salários, dos valores aviltantes dos fretes e dos aumentos constantes do preço do diesel.
Representados por diversas entidades e organizados de uma forma muito peculiar, dada à sua condição de categoria itinerante, os caminhoneiros estruturaram pontos de protesto em todo o Brasil, rejeitaram duas propostas do governo e acabaram conquistando o apoio e a simpatia da população e de outras categorias de trabalhadores em luta, como é o caso, por exemplo, do Sinasefe Nacional, da CUT, CSP-Conlutas e Intersindical. A paralisação, que aparentemente aconteceu de surpresa, na verdade é fruto mais uma vez do descaso e da intransigência do governo, já que desde o dia 16 de maio as entidades representativas do segmento vinham tentando negociar com o Executivo Federal uma alternativa para as altas constantes nos preços dos combustíveis. O governo Temer foi avisado, mas preferiu dar às costas aos trabalhadores. O resultado aí está: uma das maiores greves já realizadas no país nas últimas décadas e prejuízos de toda ordem para todos os setores da economia.
A greve é legítima, assim como a sua extensa pauta de reivindicações, que prevê não apenas a redução do preço do diesel, mas também a isenção do pagamento de pedágio dos eixos que estiverem suspensos (quando o caminhão está vazio e passa a rodar com um dos eixos fora do chão), a aprovação do projeto de lei 528 de 2015, que cria a política de preços mínimos para o frete, e a criação de um marco regulatório para os caminhoneiros, entre outros itens.
A paralisação dos caminhoneiros também escancara a política de preços adotada pela Petrobrás nos últimos anos. Segundo a Associação dos Engenheiros da estatal, “em outubro de 2016, a empresa começou a praticar preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA, que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil. Ganharam os produtores norte-americanos, os ‘traders’ multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de ‘America first!’, ‘Os Estados Unidos primeiro!'”, diz a nota da AEPET.
O que estamos assistindo hoje não é novidade e representa, na prática, mais um capítulo do desgoverno Temer e de suas políticas de Estado Mínimo, que só trazem prejuízos aos trabalhadores e à população em geral.
TODO APOIO AOS CAMINHONEIROS!
SINASEFE Seção Sindical IFSC
A Diretoria
Florianópolis, 28 de maio de 2018