Companheiras e companheiros,
Quero começar dizendo que nós nos mobilizamos. Trouxemos uma delegação de 12 sindicalizados para participar deste I Encontro Nacional de Formação do Sinasefe, com uma expectativa muito concreta: aprender, trocar experiências, fortalecer nossa organização e sair daqui mais preparados para enfrentar os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora. Mas, sinceramente, o que encontramos foi uma grande frustração.
Mais uma vez, tivemos uma mesa de análise de conjuntura, muito denuncismo e uma posição nitidamente contrária ao atual governo. E eu não estou dizendo que não devemos fazer análise de conjuntura, nem que não devemos criticar governos. Evidentemente, devemos ter autonomia e capacidade de fazer críticas quando necessário.
A questão é: é só isso que entendemos por formação sindical? Quando estamos falando de um sindicato que representa trabalhadores e trabalhadoras da educação, esperávamos algo diferente. Esperávamos uma formação que dialogasse com a nossa prática, com a realidade das nossas escolas, com os problemas concretos enfrentados pela categoria e, principalmente, que valorizasse uma metodologia de educação popular.
Esperávamos, no mínimo, uma inspiração na pedagogia de Paulo Freire: uma formação baseada no diálogo, na escuta, na construção coletiva do conhecimento e na compreensão de que ninguém forma ninguém sozinho. Todos nós aprendemos na troca, partindo da nossa própria realidade. Porque, se o nosso objetivo é organizar os trabalhadores para enfrentar o capitalismo, precisamos formar sujeitos críticos, conscientes e capazes de intervir na realidade, e não apenas reproduzir discursos ou apresentar análises prontas.
Não podemos mobilizar trabalhadores, investir tempo, deslocamento e energia para participar de uma formação e sair daqui com a sensação de que foi apenas mais do mesmo. Precisamos perguntar: que tipo de formação sindical queremos? Que trabalhador e que militante queremos ajudar a formar? Que organização sindical queremos construir?
Se queremos um sindicato forte, democrático e capaz de enfrentar o capitalismo, precisamos de uma formação que faça as pessoas pensarem, participarem, questionarem e construírem coletivamente.
Nossa crítica, portanto, não é para desqualificar a formação. É justamente o contrário. É porque acreditamos na importância da formação sindical que estamos cobrando mais.
Trouxemos 12 companheiros e companheiras porque acreditamos que vale a pena construir coletivamente. E esperamos que essa crítica seja recebida como uma contribuição para que as próximas formações sejam realmente espaços de aprendizagem, diálogo, reflexão e organização da classe trabalhadora.
Muito obrigada.
Texto elaborado por:
MARIA LEDA COSTA SILVEIRA
Coordenadora Geral do SINASEFE Seção Sindical IFSC
Subscreve-o toda a bancada de delegados/as ao I Encontro Nacional de Formação do Sinasefe.