Considerada a maior da história, a Greve Geral do último dia 28 de abril foi convocada de forma unitária por nove centrais sindicais.
Cerca de 40 milhões de trabalhadores brasileiros cruzaram os braços na última sexta-feira, em todas as capitais do país e diversas cidades do interior, para protestar contra as terceirizações e as reformas previdenciária e trabalhista do governo Temer. Ruas e avenidas foram fechadas, o comércio não funcionou, ônibus, trens e metrôs não circularam, voos atrasaram, colégios púbicos e privados ficaram sem aula e institutos e universidades não abriram suas portas. Mesmo com enorme dificuldade de locomoção, por conta da paralisação dos transportes, milhares de trabalhadores saíram às ruas e ocuparam praças e avenidas com passeatas, atos públicos e manifestações contra a retirada de direitos.
Em Santa Catarina, diversas cidades realizaram atividades conjuntas, com destaque para Florianópolis, onde mais de 20 mil pessoas participaram de uma passeata pelas principais vias da cidade, no período da tarde. A mobilização na capital começou ainda de madrugada, com fechamento de rodovias em diversos pontos da região metropolitana. Pela manhã, trabalhadores de diversas categorias se concentram próximo ao antigo terminal de ônibus e dali saíram em arrastão pelo centro para garantir o fechamento das poucas lojas que insistiram em abrir as suas portas.
A região oeste registrou a maior mobilização de sua história. O trevo de Maravilha foi fechado, interditando totalmente a BR 282. Além disso, uma grande manifestação foi realizada em frente a casa e a empresa do deputado federal, Celso Maldaner. Passeatas e trancamentos de estradas ao longo do dia e um grande ato na Praça Coronel Bertasso, no centro de Chapecó, com a participação de mais de quatro mil pessoas, marcaram o dia 28 na região.
A rodovia SC 283, em Águas de Chapecó, também foi bloqueada por dois períodos, por mais de uma hora. O ato na cidade teve início às 10h com caminhada pelas ruas e às 11h o trecho de entrada do município, próximo ao novo pórtico, foi interrompido com a colocação de tratores. Filas se formaram nos dois sentidos. A passagem foi liberada logo após o meio dia, mas voltou a ser bloqueada uma horas depois. A manifestação foi finalizada perto das 15h, com uma caminhada até São Carlos. A mobilização contra as reformas trabalhista e previdenciária vem sendo articulada na região por sindicatos rurais, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Sindicatos de Servidores Federais e Sinasefe. Além de Águas de Chapecó, a SC 283 também esteve bloqueada em Planalto Alegre e em Maravilha nas BRs 282 e 158.
No norte, a BR 470 também foi trancada, impedindo a circulação de mercadorias em vários municípios do vale do Itajaí.
Chamados pelo Sinasefe, os servidores do IFSC tiveram participação ativa na greve geral da última sexta, com participações em diversos atos, passeatas e mobilizações, nas cidades de Araranguá, Chapecó, Florianópolis, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Lages, São Carlos, São Miguel do Oeste e Palhoça.
A avaliação inicial das Centrais é a de que, ao lado das manifestações do 1º de maio, que lotaram várias cidades pelo país, a Greve do último dia 28 representou um recado claro dos trabalhadores ao governo e ao Congresso, de que a classe não aceitará passivamente a retirada de direitos fundamentais conquistados arduamente ao longo das últimas décadas.