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14 de dezembro de 2018

Reflexões sobre os 30 anos do Encontro Nacional de Mulheres Negras

O Centro de Convenções da PUC (Pontifícia Universidade Católica de Goiás) transformou-se em um Quilombo urbano no período de 06 a 09 de dezembro, com a realização do Encontro Nacional de Mulheres Negras: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver.

O Encontro reuniu cerca de mil mulheres de todo o Brasil – mulheres da cidade, do campo, das periferias, quilombolas, religiosas de matriz africana – e contou com a força da juventude, com seu reconhecimento da negritude, que não mediu esforços para estar presente nesses últimos 30 anos. O primeiro foi realizado no ano de 1988, na cidade de Valença, no Rio de Janeiro, tendo como objetivo a reafirmação da autonomia, das lutas e identidades das mulheres negras.

Tivemos uma mesa composta com mulheres que resistiram a todo o tipo de opressão e racismo, como a Deputada Federal Benedita da Silva (PT), a deputada eleita Renata Soares (PSOL) e Arielle Franco, irmã de Marielle Franco, vereadora do Rio de janeiro pelo PSOL, executada em 14 de março de 2018.

Fazendo parte da mesa “A mulher Negra na Conjuntura global: Mulheres negras movem o mundo”, tivemos a grata participação da escritora, filósofa e feminista norte americana, Angela Davis, que trouxe uma fala motivadora, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados unidos. Angela Davis lembrou que o governo Trump não é o melhor para os EUA e que nós, brasileiras, estamos passando por um momento político complicado como o deles. Nesse momento, fez-se um coro de “Lula Livre” dentro do auditório, momento que se repetiu durante a fala da Deputada Federal Benedita da Silva (PT), quando ela lembrou que a luta pela equiparação dos direitos das empregadas domésticas aos dos outros trabalhadores é o resultado de 40 anos de uma luta formal da categoria.

Durante todo o evento aconteciam, simultaneamente, oficinas autogestionadas de trocas de saberes, dinâmica corporal, relaxamento, espiritualidade e artes. Tivemos a participação de dezenas de afroempreendedoras, com artes e a temática africana. Com qualquer expositor poderíamos bater um papo, conhecer melhor do seu afro-negócio, saber do seu potencial atual de expansão e desafios para chegar ate ali. Participaram das trocas de saberes e autógrafo de seus livros as escritoras Sueli Carneiro, Cidinha Silva, Cristiane Sobral e Helena Theodoro.

Como sugestão da Coordenação Nacional, aprovada pela plenária por unanimidade, o Encontro Nacional de Mulheres Negras ofereceu à escritora Conceição Evaristo a primeira Cadeira da Academia Afrodescendente de Diáspora de Letras, Cultura e Ciências. O assento leva o nome da escritora Carolina Maria de Jesus. A academia foi criada pelo Coletivo Lélia Gonzáles para romper com o sistema imposto aos saberes e produções artísticas e literárias, no qual mulheres e homens negras/os não têm seus reconhecimentos.

Retorno do evento trazendo na bagagem muitas respostas positivas, o convívio com a diversidade e o agradecimento pela realização desse encontro a partir das mais velhas memórias e saberes das tradições africanas, entre tantas outras reflexões.
O Encontro de mulheres negras promoveu a reflexão de temas como o enfrentamento ao racismo religioso e racismo institucional, reforçou para a juventude negra a busca por inclusões no mercado de trabalho.

Tivemos orientações para construções de diálogos. O nosso bem viver é coletivo, os nossos passos veem de longe e perpassam pelos cuidados das mais velhas que se fizeram presentes naquele local. Convivi com mulheres de 18 a 80 anos, saímos desse encontro contando com a força da juventude, desejando também mais cuidados para com as famílias de dezenas de “Marielis” Franco desse Brasil.

Quero deixar registrado na memória que foi a partir do ano de 1988 que se constituíram avanços nas articulações de instrumentos políticos e do feminismo negro no Brasil, onde as políticas públicas começaram a se efetivar a partir do ano de 2001.

Pude vivenciar a reflexão coletiva sobre qual a relação das mulheres negras com os partidos políticos, haja vista que o racismo parlamentar nos impede de trabalharmos ações positivas para o povo negro.

Senti a força das organizações do Movimento Negro do Brasil, movimento de mulheres, movimento feminista e as possibilidades de resistência.

Saio motivada e empoderada para contribuir com outras mulheres na política e na atuação pública.

“Mulheres Negras Movem o Brasil” foi um encontro rico em trocas e saberes. Vivências para uma vida. Que venham mais 30 Anos de resistência, conquistas, ações efetivas e visibilidades para o nosso povo.

Não somos teimosas, somos persistentes!

SÔNIA REGINA ADÃO
Diretora da seção sindical

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