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26 de abril de 2019

30/04 é Dia Nacional de Luta: “Educação não se faz com repressão”

30/04 é Dia Nacional de Luta: “Educação não se faz com repressão”

A Seção Sindical IFSC do Sinasefe aprovou, na sua última reunião de Diretoria, uma moção de solidariedade à professora de sociologia, Camila Marques, do Câmpus Águas Lindas, do Instituto Federal de Goiás (IFG). Na manhã do dia 15 de abril, Camila foi presa, algemada com violência e teve o celular apreendido por policiais civis enquanto dava aulas. Os agentes alegaram que estavam à procura de três alunos suspeitos de envolvimentos com atos ilícitos, todos negros, moradores da periferia e militantes do movimento estudantil.

A professora, que também é coordenadora geral do Sinasefe Nacional, começou a filmar a ação dos policiais, defendeu os estudantes e tentou impedir que a polícia os levasse, numa viatura descaracterizada, sem acompanhamento dos pais ou responsáveis. Ela foi acusada de cometer crime de desobediência, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberada.

No próximo dia 30/04, porém, Camila Marques terá que comparecer a uma audiência judicial no Fórum de Águas Lindas, onde responderá pela acusação. Nessa data, o Sinasefe Nacional está convocando um Dia Nacional de Luta, com o tema “Educação não se faz com repressão”, a fim de mobilizar e estimular os servidores federais da educação em todo o país a discutir e refletir sobre esses ataques aos profissionais que, a cada dia, se tornam mais frequentes nas escolas brasileiras.

A proposta apresentada pela Direção Nacional do Sinasefe é que o texto abaixo seja lido e discutido pelos servidores, nos Câmpus e Reitorias de todos os Institutos Federais do país, nesse dia 30/04. No IFSC, a Seção Sindical orienta que esse momento seja organizado pelos representantes de base em seus respectivos locais de trabalho.

30 de abril – Dia Nacional de Luta: Educação não se faz com repressão!

A polarização da sociedade também está dentro das escolas. E você, "de que lado você samba?"

Enfrentamos um contexto de fortes ataques à classe trabalhadora, a marca do neofascismo tem provocado polarizações em todos os espaços da vida: no âmbito da educação não poderia ser diferente. São ataques ferrenhos de um governo que faz exaltação à Ditadura Militar e de um presidente que se colocou favorável à tortura e aos torturadores. O mesmo governo que não consegue explicar as suas relações com grupos milicianos e que, infelizmente, ganhou parte da sociedade para este projeto de extrema direita, como evidenciado nas eleições.

Diante desse cenário, se apresenta uma série de ataques diretos feitos aos trabalhadores da Educação. Estudantes são orientados a gravar e vigiar os professores, a polícia tem adentrado nas escolas e um ambiente de repressão tem tomado conta do espaço educacional.

Na última segunda-feira (15/04), presenciamos mais um desses casos. Ao interpelar a polícia, que abordava truculentamente os estudantes, a coordenadora geral do SINASEFE, Camila Marques, foi agredida e presa em seu local de trabalho (campus Águas Lindas, do IFG). Os vários casos que têm se somado a este mostram que esta não é uma postura pontual, e sim um ataque sistemático aos trabalhadores da Educação. Entretanto, se o neofascismo tem mostrado a sua face, a nossa capacidade de mobilização e resistência também tem vindo à tona. Neste sentido, a terça-feira da semana que vem, dia 30 de abril, será marcada como mais uma data de luta e resistência! Nessa data também está marcada a audiência (na segunda comarca de Águas Lindas-GO) da professora Camila Marques.

Assim como eles nos atacam em nossos locais de trabalho, é importante organizar a reação a partir destes lugares. Só o diálogo permanente com a comunidade, as famílias, os trabalhadores e estudantes (trabalhadores em formação) será capaz de criar raízes profundas para os enfrentamentos que temos encarado e os que vamos enfrentar.

A repetida ação repressiva da polícia nos casos de ataque à educação, aos educandos e educadores demonstra claramente uma perspectiva que perdemos do caráter de classe do Estado e da truculência da repressão policial contra os trabalhadores. Os ataques têm clara perspectiva de classe: estudantes da periferia, território dos trabalhadores, onde moram mulheres e negros, parcela relevante da classe trabalhadora brasileira. Pessoas que também estão na dianteira dos movimentos sociais e nas trincheiras da luta por um mundo melhor.

Neste ano de 2019, já mapeamos cinco casos de violência policial, repressão e perseguição. Esses são casos que foram divulgados. Quantos outros estão no anonimato?

  1. Professor de geografia, Wellington Divino Pereira – afastado por 180 dias do Colégio Militar em São Luís de Montes Belos-GO, por criticar a leitura do slogan da campanha eleitoral do atual presidente, ato considerado de "grave insubordinação". Acusado também de "doutrinação comunista e ateísta".
     
  2. Professor de história, Gabriel Pimentel – preso dentro de escola estadual em Uberlândia-MG por questionar a abordagem truculenta contra estudantes na porta da escola em que trabalha. Foi agredido, algemado e preso por três dias.
     
  3. Professor de sociologia, Pedro Mara – diretor de escola estadual em Belford Roxo-RJ, ameaçado de morte, sondado pelos acusados do assassinato de Marielle Franco, e perseguido por grupos políticos/milicianos. A Secretaria de Educação abriu processo para demiti-lo, alegando abandono de trabalho e ignorando a orientação da Alerj e da OAB para que Pedro deixasse o estado.
     
  4. Professor de português, Marcos Antônio Tavares da Silva – docente de colégio estadual na cidade de Campos-RJ, foi afastado pela Secretaria de Educação e ameaçado de morte após utilizar, em atividade escolar, uma charge com os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump.
     
  5. Professor de geografia, nome preservado – demitido do Colégio Poliedro, escola particular de São José dos Campos-SP, após ser gravado, sem autorização, criticando o governo Bolsonaro.

Diante desses fatos e das constantes ameaças contra professores e professoras em todo país, será que vivemos uma democracia plena?

É assim que a Educação e os educadores merecem ser tratados?

Nos solidarizamos com todos os trabalhadores e trabalhadoras que têm sofrido esses ataques, desde os mais visíveis e truculentos aos que temos passado cotidianamente nas sucateadas escolas brasileiras.

Estas ações mostram que não é momento somente de resistir, mas de reorganizar a nossa luta para que possamos virar o jogo. Venceremos!

Toda solidariedade aos estudantes e educadores perseguidos! Por uma educação sem repressão!

DN do SINASEFE

(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)

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