O Sinasefe realizou no último dia 24/9, no Centro de Eventos do Câmpus Continente, o seu primeiro Seminário Regional sobre o Future-se. O evento, que teve transmissão ao vivo pelo Facebook, contou com a participação das professoras Eneida Shiroma (CED/UFSC), Patrícia Rosa (CONSUP/IFSC) e Elenira Vilela (SINASEFE IFSC). A três analisaram o Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras no contexto do futuro da Rede Federal.
O Seminário indicou a rejeição total do programa do MEC pelos servidores do IFSC, proposta que foi aprovada por unanimidade na assembleia geral da categoria realizada logo após o evento. No dia 16 de setembro, o Conselho Superior (Consup) do Instituto também aprovou a rejeição do projeto, após grande mobilização dos estudantes.
Em sua palestra, a professora Eneida Shiroma mostrou dados sobre a situação da educação no Brasil e resgatou, do ponto de vista histórico, algumas das várias iniciativas que já vinham estimulando o crescimento do ensino privado e a privatização das Universidades Públicas em vários países do mundo, incluindo o Brasil.
Já a professora Patrícia Rosa apresentou dados e informações sobre a participação importante e decisiva das Universidades Públicas nas pesquisas científicas, no mundo todo, que depois são apropriadas por grandes conglomerados de tecnologia. Ao explicar a relação entre o financiamento público, as pesquisas e os interesses privados, ela criticou o Future-se, afirmando que “o programa não vai criar uma simbiose entre Estado e Empresas e sim estimular o crescimento de parasitas do Estado”. Patrícia baseou sua fala no texto “O Estado Empreendedor: desmascarando o mito do setor público vs. Privado”, da economista italiana, Mariana Mazzucato.
A professora Elenira Vilela iniciou sua apresentação fazendo um resumo do que, na prática, vai significar o Future-se: “um programa que socializa os riscos e prejuízos e privatiza os lucros”. Em seguida, fez uma rápida reflexão sobre o conceito de futuro que está embutido nas propostas neoliberais supostamente modernizadoras, para, a partir daí, analisar o programa do MEC do ponto de vista dos prejuízos aos trabalhadores, estudantes e à sociedade como um todo. Nesse ponto, ela fez questão de lembrar que o próprio ministro afirmou com todas as letras que o principal objetivo do Future-se é a redução dos gastos com pessoal do MEC, com o fim dos concursos públicos e a contratação de professores e técnicos pelo regime do CLT. Elenira detalhou ainda os três aspectos fundamentais da proposta do governo para o ensino superior público (a mercadorização, a financeirização e o controle ideológico) e abordou rapidamente a inconstitucionalidade do projeto, que fere a autonomia das universidades e institutos, prevista na Constituição Federal.
As palestras completas estão disponíveis no canal da Seção IFSC no Youtube. Em breve, o Sindicato lançará também uma versão editada do Seminário.
(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)