O 2° Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE, com o tema “Vivas, Livres e Resistentes”, foi realizado em Brasília-DF, no dia 13 de novembro de 2019, com a participação de cerca de 240 mulheres, representando diversas Seções Sindicais de norte a sul do país.
Entretanto, precisamos avançar nossas participações, que ainda são limitadas, e lutar pelo nosso poder de voz, que nos é retirado.
Ressaltamos também o crescimento dos desafios vivenciados por nós mulheres, principalmente as mulheres negras, na atual conjuntura, assim como apontamos a necessidade de manutenção das conquistas e da ampliação dos espaços de debate e de existência das mulheres. E chamamos a atenção para a necessidade dos debates referentes a gênero, raça e classe.
Acentuamos a importância de lutarmos contra os retrocessos experimentados nos últimos meses, enfrentando toda e qualquer pessoa que se coloque contra a equidade de gênero, sexualidade, raça e classe. Destacamos a necessidade da ampliação da divulgação desses temas nas Seções Sindicais, incentivando e garantindo a participação das companheiras nos Encontros de Mulheres e em todas as demais instâncias do SINASEFE.
Novamente ouvimos que, em nossos locais de trabalho, ainda vivenciamos estruturas machistas que dificultam o nosso acesso aos espaços de gestão, dentro das instituições ou no próprio sindicato. Mais uma vez tivemos relatos de questões de assédio moral e sexual, como também sobre a desvalorização das mulheres.
Num ambiente de grandes falas e escutas, ficou claro, porém, que as reivindicações, apelos e solicitações continuam sendo as mesmas do encontro anterior. Falou-se que, mesmo com todo esse trabalho, houve pouco resultado na inclusão social, combate à violência, feminicídio, assédio, racismo, gêneros e preconceitos. Diante dessas escutas, precisamos continuar lutando para que as classes menos privilegiadas, não reconhecidas ou esquecidas, sejam inseridas na sociedade. E essa causa somente acontecerá através da educação.
A avaliação geral, entretanto, é a de que o encontro foi bom, apesar de muitos assuntos e pouco tempo para debates. Muito se falou sobre assédio e preconceito, temas importantes diante desse momento em que vivemos amedrontadas. É muito triste saber que em pleno século XXI, ainda vivenciamos tudo isso. Em algumas instituições, as terceirizadas sofrem assédio e, por medo de perderem o emprego, ficam caladas e acabam adoecendo. Uma Reitora é eleita e não pode assumir o cargo porque é negra, que país é este? Indígenas também sofrem violência nas tribos, de acordo com relato feito pela representante indígena. Notou-se, portanto, que um dia de encontro é pouco pela demanda dos temas. Fica a sugestão de mais verbas e três dias de duração como ideais para o evento.
Além dos debates, houve um momento no encontro em que as participantes propuseram moção de apoio à Venezuela, com a ida das participantes para as imediações da embaixada invadida. Foi realizado um Sarau “Voz em Rede” nas imediações da embaixada venezuelana, como forma de apoio às mulheres ali presentes.
O 2° encontro de mulheres do SINASEFE tentou fomentar o debate sobre a garantia dos direitos das mulheres e traçou possibilidade de avanços e garantias no que já foi conquistado. Tomara que chegue o dia quando possamos nos encontrar para celebrarmos vitórias e que possamos viver em paz e felizes.
(Por Elisete Laci Dupont Goethel, Elza Maria Virgílio e Sônia Regina Adão)
Confira também:
Moção de apoio à companheira Diacuy Pereira (integrante da Comissão Organizadora do evento).
Moção de repúdio às gestões coniventes com as violências na Rede Federal.
Moção pela reintegração de Hellen Cristina, servidora do IFPI.
Moção de apoio à imediata nomeação de Luzia Mota.
Moção de apoio e solidariedade à dirigente Camila Marques (coordenadora geral do SINASEFE).
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