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21 de maio de 2021

Sinasefe defende direito à vida em audiência na capital

Sinasefe defende direito à vida em audiência na capital

A Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara de Vereadores de Florianópolis realizou na última quinta, dia 20/5, uma audiência pública para debater o retorno presencial das aulas na capital do estado. A audiência foi sugerida e coordenada pela vereadora Manoella Vieira da Silva (Partido Novo), que logo no início dos trabalhos tentou impedir a palavra das representantes do Sinasefe, Elenira Vilela, e da CNTE, Marta Vanelli, cujos nomes não haviam sido indicados por ela e sim pelo vereador Afrânio Boppré (PSOL). Após protestos e esclarecimentos de que se tratava de uma audiência pública, a fala foi aberta às entidades.

Além de vereadores de vários partidos, o evento contou também com a participação do Sintrasem, de representantes da PMF (incluindo os secretários de Educação, Mauricio Fernandes Pereira, e de Saúde, Carlos Alberto Justo da Silva), do Conselho Municipal de Educação (agora, depois da intervenção do Prefeito, dominado por entidades patronais) e outras representações indicadas pela vereadora Manoella Vieira. O presidente da Comissão, Erádio Manoel Gonçalves (Podemos), não estava presente.

De modo geral, segundo avaliação da professora Elenira Vilela, a audiência foi marcada pela defesa do retorno presencial das atividades na educação do município, sob o argumento de que o suposto prejuízo aos estudantes justificaria a exposição de trabalhadores e das próprias crianças ao risco de morte.

Em defesa da vida, o representante do Sintrasem esclareceu que a greve na educação de Florianópolis foi deliberada pela categoria e, por isso, não há que se falar em greve decretada pela diretoria do sindicato. Ele explicou ainda que os servidores sempre estiveram dispostos a continuar trabalhando remotamente, mas a posição intransigente da Prefeitura impediu que isso ocorresse. Por fim, deixou claro que a insistente recusa do prefeito Gean Loureiro em negociar o fim da paralisação é que causou os maiores prejuízos aos estudantes.

Já a representação do Conselho Regional de Medicina defendeu a imunidade coletiva, mais conhecida como imunidade de rebanho, como estratégia de combate à pandemia, uma posição duramente criticada por infectologistas do mundo inteiro, por conta do número de mortes que isso, inevitavelmente, acarretaria no longo prazo.

A representante da Seção Sindical IFSC, professora Elenira Vilela, rebateu os argumentos favoráveis ao retorno presencial. Explicou que, segundo um estudo feito a partir da rede estadual de São Paulo, os professores hoje no Brasil têm quase três vezes mais chances de morrer por Covid-19 do que qualquer outra pessoa, depois da volta das aulas presenciais. Citou que o Brasil é recordista em morte de crianças e fez uma comparação com a Espanha. De maio de 2020 a maio de 2021, aquele país registrou um total de 214 mortos com menos de 40 anos, enquanto que no Brasil, no mesmo período, foram mais de 500 mortes somente de crianças de 0 a 4 anos.

Elenira questionou também o argumento de que as crianças não estão em risco, porque contrairiam menos o vírus, transmitiriam menos e morreriam menos. Os dados do Brasil desmentem essa afirmação. O número de crianças, adolescentes e jovens mortos pela Covid-19 é altíssimo, se comparado a outros países. A Espanha, com 50 milhões de habitantes, tem 50 mil mortos no total, sendo 214 com menos de 40 anos. Já o Brasil, com 213 milhões de habitantes, tem 20 mil mortos com menos de 30 anos. A pandemia por aqui é tão grave que mesmo com a vacinação de idosos e de grupos prioritários com comorbidades, os números de casos continuam subindo, e agora na faixa dos mais jovens, o que vai resultar em mais mortes no curto prazo.

A representante do Sinasefe prestou solidariedade a todas as famílias que perderam pessoas por conta da doença. Defendeu ainda o direito de greve, manifestou apoio à paralisação dos trabalhadores da educação de Florianópolis e deixou claro que só é possível pensar em volta presencial às atividades quando houver condições sanitárias para isso. E hoje essas condições não existem. Pediu também que “os partidos e as pessoas que hoje tanto falam em importância da educação para pedir a volta do ensino presencial que continuem defendendo essa bandeira sempre que ela for atacada pelos governos”, finalizou.

(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)

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