O mês de janeiro está sendo marcado pela preocupante disseminação da variante Ômicron no Brasil e em Santa Catarina, com o número de novos casos de Covid-19 batendo recordes diariamente.
Segundo a Fiocruz, em seu boletim do Observatório da Covid, na primeira quinzena de janeiro foram registrados em média 49 mil casos por dia no país, número seis vezes superior ao observado nos primeiros quinze dias de dezembro de 2021. No dia 19 de janeiro o Brasil registrou o recorde de 240 mil testes positivos em 24 horas, revelando o total descontrole da pandemia no país.
A política genocida do Governo Bolsonaro e seus aliados segue em curso. Sem dados confiáveis, com subnotificação dos casos, sem testes em quantidade suficiente para a população e com a total ausência de medidas eficazes que evitem a propagação da doença, o Brasil passa por um dos momentos mais críticos desde o início da pandemia, o que só não é pior devido à vacinação, que foi conquistada com muita pressão social e mobilização popular.
Em Santa Catarina, a situação tem se agravado nas últimas semanas, com o aumento significativo no número dos casos. No último dia 20 de janeiro, o estado registrou 4.951 casos ativos a mais em comparação com o dia anterior, com 11 novos óbitos, sendo que a quantidade de casos confirmados subiu 10.504, uma mudança significativa na matriz do risco potencial por região (divulgada no dia 15 de janeiro), que agora inclui no mapa 15 regiões em risco alto e apenas duas em risco moderado, piorando a situação em relação às semanas anteriores. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Santa Catarina enfrenta um “quadro que indica uma alta taxa de transmissão de Covid-19, reflexo da elevação do número de casos ativos em praticamente todo o Estado, que vem ocorrendo nas últimas duas semanas”. As previsões para as próximas semanas não são nada alvissareiras, tendo em vista que o país também enfrenta uma epidemia de influenza (vírus H3N2), o surgimento da “flurona” – uma infecção conjunta de covid-19 e da gripe influenza – e o sistema de saúde entrando novamente em colapso, com a superlotação das emergências e sobrecarga dos/as trabalhadores/as da saúde.
As projeções do Instituto de Métricas em Saúde (IHME) da Universidade de Washington apontam que o pico de contágio e de ocupação de leitos de enfermarias e UTIs deverá ocorrer entre a última semana de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro, mesmo período em que está programado o retorno do ano letivo nos Câmpus do IFSC, em sua maioria com retorno de atividades presenciais.
No momento em que finalizamos esta nota não há previsão de reunião extraordinária do CONSUP para discutir, em caráter emergencial, o retorno às fases da política de segurança sanitária para cenários de maior restrição possível das atividades presenciais no IFSC antes da retomada das aulas. O Reitor encontra-se em viagem na Europa, num dos piores cenários da pandemia. Uma versão do filme “Não olhe pra cima”, do diretor Adam McKay, com o agravante de que está ocorrendo numa instituição de educação científica e tecnológica.
Ainda estamos no período de férias letivas e medidas urgentes podem e devem ser tomadas. A começar pela imediata suspensão do trabalho presencial que vem sendo realizado nos Câmpus, ainda que haja a exigência do ciclo vacinal completo dos/as servidores/as para acesso aos Câmpus e Reitoria. A alta transmissibilidade da nova variante Ômicron coloca em risco os/as trabalhadores/as que estão desenvolvendo suas atividades presencialmente neste mês, situação que é agravada pela circulação de público externo, o que tende a se intensificar no período de matrículas.
Defendemos que a Instituição retorne para a fase 1, com a suspensão parcial de atividades administrativas presenciais e suspensão total de atividades acadêmicas presenciais.
O IFSC pode optar por parar suas atividades presenciais de forma organizada, com ampla comunicação e diálogo com a comunidade, evitando a contaminação nos Câmpus e preservando vidas, ou ter de paralisar da pior forma possível, com servidores/as, trabalhadores/as terceirizados e estudantes contaminados/as pelo vírus nas dependências do Instituto.
Também alertamos que é fundamental que se faça o debate da necessidade do passaporte vacinal para toda a comunidade acadêmica e não apenas para os/as servidores/as docentes e técnico-administrativos do IFSC, trabalhadores terceirizados e estagiários/as.
Considerando os motivos relatados acima; considerando que a Universidade Federal de Santa Catarina, baseada em estudos científicos sólidos, suspendeu o retorno das atividades presenciais para os técnicos administrativos; considerando que servidores de diversos outros órgãos públicos também estão retornando para o trabalho remoto e considerando que não temos atividades letivas neste período, reforçamos o pedido de suspensão das atividades presenciais e revisão do acionamento de fases para o retorno docente e discente, no início do ano letivo.
(Diretoria do SINASEFE Seção Sindical IFSC)