Apesar de sua origem socialista e operária, que remontam ao final do século XIX, o Dia Internacional de Luta dos Trabalhador e das Trabalhadoras vem se transformando ao longo das últimas décadas, sobretudo pela imposição ideológica da mídia vinculada aos grandes empresários, em um simples feriado dedicado erroneamente à comemoração do trabalho. A data, que deveria ser de protestos, lutas e reivindicações – que estão na base de sua história – virou vitrine para celebrações totalmente vazias de significado.
As conquistas fundamentais que surgiram a partir das grandes lutas operárias nos Estados Unidos vêm sendo, propositalmente, esquecidas ano após ano. Isso aconteceu e acontece também no Brasil, desde que a data começou a ser celebrada na década de 1890. Apesar dos inúmeros registros de mobilizações organizadas por sindicatos, grupos socialistas e anarquistas ligados às comunidades de imigrantes por volta de 1991, sobretudo no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, o 1º de maio no país foi sempre alvo de tentativas de institucionalização por parte do Estado. Desde que foi declarado feriado oficial por meio de decreto em 1924, no governo de Arthur Bernardes, a data vem sendo apropriada por diversos governos como um dia dedicado à glorificação do Trabalho e não da Classe Trabalhadora.
Mas nunca é demais lembrar que a diminuição e a regulamentação da jornada, o descanso remunerado e as férias, a proteção previdenciária, as normas de saúde e segurança, o salário mínimo, a estabilidade relativa, a licença-maternidade e a licença-paternidade, a negociação coletiva e toda a legislação trabalhista existente no mundo que reconheceu a organização sindical como instrumento de defesa dos trabalhadores não surgiram por acaso ou como simples resultado de articulações políticas junto a governos e parlamentos. Todos esses direitos foram arrancados na luta diária e real e isso continua válido até hoje. Sem lutas não há conquistas.
Todas essas vitórias, das mais antigas às mais atuais, demonstram claramente que avanços sociais só acontecem a partir da mobilização contínua, da solidariedade de classe e da capacidade organizativa dos sindicatos de articular lutas setoriais e gerais dos trabalhadores e trabalhadoras. Não há outro caminho.
Na atual conjuntura nacional e internacional, marcada fortemente pelo avanço da extrema direita em vários países, o 1º de Maio hoje não pode representar apenas uma celebração. A data precisa relembrar a importância da centralidade da organização e da luta sindical para o enfrentamento dos desafios contemporâneos, como a precarização do trabalho, a terceirização, a exploração contemporânea das plataformas digitais, as reformas trabalhistas e previdenciárias, a retirada de direitos, o desemprego estrutural, a automação e a crise climática. E não é só isso. As organizações coletivas dos trabalhadores precisam também incorporar demandas por igualdade, diversidade, respeito às minorias, proteção social e universal e liberdades democráticas.
A tarefa sindical agora é reorganizar a classe, fortalecer a negociação coletiva, ampliar a representação das periferias e das minorias no movimento e combinar resistência com propostas de transformação para assegurar direitos e melhores condições de vida para toda a classe trabalhadora.
Para além das merecidas celebrações, o SINASEFE Seção IFSC aproveita a passagem deste 1º de maio para relembrar, mais uma vez, as origens históricas dessa data tão importante para os trabalhadores e trabalhadoras, ao disponibilizar através deste link o acesso a um Caderno sobre a História do 1o de Maio, elaborado pelo Núcleo Piratininga de Comunicação, do Rio de Janeiro. Leia e compartilhe com seus colegas.
VIVA O 1º DE MAIO, VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS EM TODO O MUNDO
(Assessoria de Comunicação do SINASEFE Seção Sindical IFSC)